10.2.08

Evidentemente

Pode até parecer mais do mesmo. Mas não é. Talvez por viver o Amor com tanta intensidade, acabei vivendo o sofrimento também com a mesma intensidade. Faz parte do equilíbrio. O que não nos mata torna-nos mais fortes, já dizia Nietzsche. Ele devia saber do que falava. Quanto a mim, também só falo do que sei. E afirmo que, se não morri desta, tão cedo não me vou. Qual o objectivo de andar por cá? Não faço ideia. E no entanto, sinto que estou lentamente regressando à vida. Ligeiramente acima do nível, consigo ter uma perspectiva mais ampla desta realidade e um pequeno vislumbre da verdade. E, efectivamente, concluo que tudo se resume a uma questão de perspectivas.

“Que embora o brilho que foi uma vez tão brilhante
Não seja para sempre tomado da minha vista,
Embora nada possa devolver a hora
Do esplendor na relva, da glória na flor;
Pena não tenho, por quanto encontre,
A força no que permanece no passado,
Na compaixão primitiva
Do que foi e deve existir,
Nos pensamentos suaves que provêem
Do sofrimento Humano,
Na fé que examina a morte
Em anos que trazem a mente filosófica.”


Tradução livre de um poema de William Woodsworth

5.2.08

A vantagem de se perder tudo é que o medo é a primeira coisa que se perde.

“Ao perder S., muitas coisas morreram dentro de mim, como acontece quando a maré recua, levando com ela tudo o que estava depositado na areia. Ficara sozinho num mundo frio e tenebroso. Aquilo que se passara entre S. e eu nunca poderia voltar a acontecer nesse novo mundo, tinha plena consciência disso.
Cada um de nós possui qualquer coisa de especial, que se revela numa determinada altura da nossa vida, e só uma vez, como um pequenina chama. As pessoas precavidas, abençoadas pela fortuna, conservam religiosamente essa chama, fazem-na crescer, usam-na como uma tocha que ilumina as suas vidas. Mas uma vez apagada, ela não voltará nunca mais a acender-se. Eu não me limitara a perder S. Juntamente com ela, perdera também essa preciosa chama.”


Excerto de "SPUTNIK, Meu Amor", de H. Murakami

1.2.08

100 anos de mediocridade

"Infeliz o povo acrítico
que ignora a sua História,
despreza os seus heróis
e mitifica a mediocridade."

P.S. - Se era para chegarmos a este ponto de decadência ao fim de 100 anos, mais valia terem ficado quietos...os infames.
Bah!