13.1.08

Eu só queria poder esquecer que tu existes em mim.

Queria poder arrancar aquela parte de mim que tem a tua marca, como uma tatuagem gravada a ferro e fogo com lágrimas e dor.

Porque dói, sim.
Ainda e sempre.
É uma dor permanente, crónica já.
Por ser constante, na maior parte do tempo já nem reparo.
Mas depois, de repente, não sei bem porquê (ou talvez até saiba), sinto-te, e a dor torna-se presente, novamente.

Existes em mim permanentemente, como o sangue que me corre nas veias.
Sinto-te no mais profundo do meu ser, num sítio que nem eu sabia que existia.
Mesmo longe, no espaço e no tempo, continuo a sentir-te...eternamente.


Como é suposto eu viver o resto da minha vida contigo longe e distante de mim?

5.1.08

Half-Soul

"Is that a kind of occupational hazard of soul mates?
One's not much without the other?"


From the movie "What Dreams May Come", 1998

29.12.07

O fio dos dias

“ E assim prosseguimos com as nossas vidas, cada um para o seu lado.
Por mais profunda e fatal que seja a perda, por mais importante que seja aquilo que a vida nos roubou – arrebatando-o das nossas mãos -, e ainda que nos tenhamos convertido em pessoas completamente diferentes, conservando apenas a mesma fina camada exterior de pele, apesar de tudo isso continuamos a viver as nossas vidas, assim, em silêncio, estendendo as mãos para chegar ao fio dos dias que nos coube em sorte, para logo o deixarmos irremediávelmente para trás. Repetindo, muitas vezes, de forma particularmente hábil, o trabalho de todos os dias, deixando na nossa esteira um sentimento de um incomensurável vazio.”


Excerto de "SPUTNIK, Meu Amor", de H. Murakami